«Há um lugar que olha para o mundo»: apresentação da revista Piazza San Pietro.
A pequenina revista «Piazza San Pietro», editada na basílica de S. Pedro, em Roma, ganhou projecção mundial com o novo colaborador, que responde às perguntas dos leitores. Trata-se, nada menos que o próprio Papa Leão XIV. Já vai em 100 mil exemplares e pode receber-se gratuitamente pela internet em várias línguas (www.piazzasanpietromagazine.org).
Em Julho passado, o Papa respondeu a Zaira Mainella, mãe de três filhos, que escreveu com o coração nas mãos, a ver o mundo encaminhar-se para uma nova guerra mundial: «O seu grito chega ao coração de Deus. E Deus alcança-nos sempre (…). Esta é a nossa fé e a nossa esperança, que não falha nem mesmo nas realidades mais dramáticas. (…) Isso não significa permanecer imóveis ou inertes. (…) A paz constrói-se no coração e a partir do coração, erradicando o orgulho e as reivindicações, e medindo a linguagem, pois também se pode ferir e matar com palavras, não apenas com armas. (…) É claro que a situação parece, por vezes, sem saída (…), mas por isso todos somos chamados com urgência a realizar essa purificação do coração, (…) e reforçar a nossa oração ao Deus da paz. Quanto tempo dedicamos à oração comunitária e também à oração pessoal, para invocar a paz todos os dias? (…) O desafio é conjugar a oração com os gestos corajosos necessários e a paciência fatigada dos pequenos passos. (…) Obrigado, Zaira, pela sua reflexão. Abençoo-a a si e à sua família!».
No número de Setembro, dedicado ao apelo do Santo Padre para que acabasse o conflito na Terra Santa, Veronica, estudante de medicina em Roma, também fala da perspectiva de guerra, de destruição e morte, sobretudo dos inocentes. «Que podemos fazer?». A resposta:
«Querida Veronica, antes de mais, desejo-te do coração que consigas realizar o teu sonho [de ser médica]. (…) É verdade que o mal parece dominar as nossas vidas. As guerras ceifam cada vez mais vítimas inocentes. Mas, (…) citando Santo Agostinho: “Vivamos bem e os tempos serão bons. Nós somos os tempos”. É isso mesmo, os tempos serão bons se formos bons! Para isso, devemos pôr a esperança no Senhor Jesus. Foi Ele quem despertou no teu coração o desejo de fazer da tua vida algo grandioso. É Ele quem te dará força (…) para que os tempos que vivemos sejam realmente bons». Termina: «Vale a pena. Tenho a certeza. Mantém-me informado sobre os teus estudos e o teu caminho interior. Abençoo-te de coração».
No número de Dezembro, Leão XIV responde a Antonio, psicólogo de 40 anos, de Pagani, na província de Salerno, falando do Natal.
Em Janeiro, responde a Nunzia, catequista em Laufenburg, Suíça, que luta para envolver os pais e ajudar os jovens a confiarem em Deus. «O terreno parece árido. Eu semeio, mas as plantas crescem a duras penas». O Papa conhece a situação, «comum a outros países de antiga tradição cristã». Desistir? «As horas dedicadas à catequese nunca são desperdiçadas, mesmo que os participantes sejam muito poucos. (…) O problema não são os números — que, certamente, nos fazem reflectir —, mas a falta (…) de nos sentirmos Igreja, membros vivos do Corpo de Cristo (…). Como cristãos, precisamos sempre de conversão. E devemos procurá-la juntos». A verdadeira porta da fé «é o Coração de Cristo, sempre aberto».
No número de Fevereiro, Leão XIV responde a Rocco, de Reggio Calabria (Sul de Itália), que partilha dúvidas de fé. Em poema, refere o nascer e o pôr-do-sol, o céu estrelado e a natureza, que o fazem reflectir sobre o mistério da harmonia. A poesia termina: «Acredito que não acredito, absolutamente certo do nada, continuo a ansiar por Deus. O meu drama é Deus! A minha inquietação é Deus!». A resposta recorda a frase de Santo Agostinho, dirigida a Deus: «“Tu estavas dentro de mim, mas eu estava fora de mim mesmo, e fora Te procurava!” (…) aqueles que amam Deus, que O procuram com um coração sincero, não podem ser ateus. (…) O verdadeiro problema da fé não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas buscá-Lo! Ele deixa-Se encontrar por um coração que O procura (…) e talvez a distinção mais correcta não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que buscam e aqueles que não buscam Deus». Conclui: «Veja, Rocco, todos nós temos ânsias de amor, todos nós somos buscadores de Deus. É aí que reside a dignidade e a beleza das nossas vidas».