Casamento de Denise Goulart
Um momento de divagação; uma busca interior.
O objetivo: A paz de espírito, a amizade e o bem-querer.
Um poema de Camões, para aquecer as lembranças e o coração:
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te;
Roga a Deus que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
Costumo usar muito a expressão Amor Platônico, nas minhas interações com as pessoas, pois se trata se um amor desinteressado, fruto de uma amizade pura.
Na poesia NATÉRCIA de Luís Vaz de Camões, acima transcrita, sua musa foi Caterina de Ataíde, dama da corte portuguesa, pela qual era apaixonado, sem nunca ter-lhe revelado o seu amor. Ela morreu e daí nasceu o poema.
Para o filósofo grego Platão, o amor era algo essencialmente puro e desprovido de paixões, ao passo em que estas são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas. O amor platônico, não se fundamenta num interesse, e sim na virtude. Platão criou também a teoria do mundo das ideias, onde tudo era perfeito; no mundo real tudo era uma cópia imperfeita desse mundo das ideias. Portanto amor platônico, ou qualquer coisa platônica, se refere a algo que seja perfeito, mas que não existe no mundo real, apenas no mundo das ideias.
O amor platônico é entendido como um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve, é feito de fantasias e de idealização, onde o objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem defeitos.
Muitos amam e guardam esse amor consigo; não querem o toque, o beijo, a interação; é algo unilateral, mas alimenta a paz no coração.