Pela vontade de Bernardina e Tristão Fagundes, a Rua da Praia, cujo nome modificou para Dr. Flores, numa justa homenagem ao primeiro Magistrado de nossa Comarca: Dr. Carlos Thompson Flores, deveria ser a rua principal da Vila. Por bastante tempo, efetivamente, o foi. Nela se instalou o primeiro cinema (14 de Julho), a Delegacia de Polícia, o jornal O Progresso e a Loja Maçônica, entre outras.
Quando o Barão do Jacuí abriu a Rua da Floresta – primeiro nome da Ramiro Barcelos – casas de moradia e comércio começaram a ser construídas ao seu longo. Esta rua começava na beira do rio e seguia até a Rua do Cemitério (Osvaldo Aranha).
Na disputa pela primazia, a Ramiro venceu. Na data de 6 de março de 1935, os moradores da cidade firmaram abaixo-assinado, endereçado ao Prefeito Municipal, Carlos Gustavo Jahn, sugerindo a aquisição de uma área de terras, compreendida entre a Rua São João até o Clube Riograndense e da Ramiro até a Cap. Porfírio.
O amigo Clodomiro Machado de Azevedo, popular “Pestana”, de saudosa memória, no 2º Volume da Trilogia Montenegro de Ontem & Hoje, transcreveu o requerimento, em seus diversos considerando.
Em um deles, os peticionários referem que a área é “composta de quase toda de terrenos devolutos e que poderão ser adquiridos por pouco preço e ainda porque mesmo os terrenos ali edificados, poderão ser adquiridos por preço que futuramente será exigido em decuplo” (p 571 a 581, acrescentei o grifo).
O que significa “terrenos devolutos”? A colonização portuguesa adotou a sistema de concessão de sesmaria, para distribuição de terras aos colonizadores. Eles teriam que legalizá-las, através da medição judicial, oficializando o trespasse. As terras que não foram legalizadas – medidas, demarcadas e cultivadas – ou devolvidas à Coroa, constituíam terras, ou terrenos, devolutos.
Os terrenos ao longo da Rua da Floresta (hoje Ramiro Barcelos) foram devidamente medidos, vendidos e ocupados. Creio que os terrenos da rua do Imperador e Baronesa (atualmente Capitão Cruz e Porfírio), mesmo medidos pelo Barão, somente um bom tempo depois, começaram a ser ocupados. Por isso, a interpretação de terrenos devolutos.
Tanto isso é verdade, que o Prado e o Campo de Futebol do Montenegro se localizavam na Rua Capitão Porfírio, ocupando grande área de terrenos. Bem mais tarde é que foram transferidos para outro local, no início (campo) e final (cancha de carreira) da Rua Otelo Rosa. Neste primeiro prado havia uma sede social, onde recepções e bailes eram realizados.