Gente de vida em dor, fraturada
Uns fartos outros em crises a dobrar
Para uns há mesa centuplicada
Aos mendigos nem restos querem dar
Carne, barro colado e soprado
A viver em dois mil e vinte seis
Tantos náufragos em mar agitado
Outros chagados por drones e mísseis
Faltam bálsamo e consolação
Paz, shalom, vigor e alento
que lhes curem o fraco coração
E os tirem das ruínas ao relento
Espírito divino, reza o povo com fé:
Dai nova vida aos órfãos e feridos
Esperança aos que sofrem falta
E aos que vagueiam foragidos
Renova, Luz do Alto, a humanidade,
Devolve a cada um sua imagem
Reveste de original dignidade
Do primeiro instante homenagem
Dos mares de naus de evangelizar
Dos aviões a voar em surdina
Em vez de armas e drones de matar
Dai, Sopro do Céu, paz, luz divina
Humanidade não suporta mais
Alivia a carga, faz peso leve
Não os deixes sós na vida de ais
A caminhar sem força que eleve.
