Pular para o conteúdo

Culto e devoção a Nossa Senhora

  • Maio 22, 2026
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Maria Guimarães

 

Embora já percorremos mais de metade do mês de Maio, mês que a Santa Igreja dedica à Virgem Maria, resolvi fazer um pequeno texto sobre o culto e devoção a Nossa Senhora.

Segundo São Tomás de Aquino, na “Suma contra os Gentios”, o culto cristão é definido como “o ato ou atos pelos quais expressamos o reconhecimento de nossa dependência de Deus e pelos quais elevamos nossas mentes a Deus”.

O culto a Deus começa e termina nEle, enquanto o culto a uma criatura, mesmo a Virgem Maria, não termina com ela, mas a eleva a Deus. Tudo é feito para a glória de Deus; Ele é o fim de cada ato. Assim, as duas formas de culto são essencialmente distintas: o culto a Deus é um ato de adoração, e o culto a uma criatura é um ato de veneração. No entanto, dentro desta última categoria, a veneração de Maria é muito superior e, portanto, tem seu próprio nome: hiperdulia.

Nas Escrituras, especificamente em Lucas, isso é explicitado na maneira como o anjo se dirige a Maria, exclamando: ” Avé, Cheia de Graça!”. Maria permanece impassível diante da presença do anjo, o que nos leva a concluir que, embora a extensão total de sua excelência ainda não fosse perceptível aos olhos humanos, ela já era uma realidade. Maria se comove profundamente com o que lhe é dito, pois, a excelência de Deus também se reflete na sua compreensão das palavras proferidas. É por isso que, mais tarde, ouvimos aquele maravilhoso louvor a Deus no Magnificat; em sua humildade, ela se comoveu com a grande graça que Deus lhe concedeu.

Mais tarde, durante o ministério público de Jesus, uma mulher do povo, ao compreender a grandeza de Jesus, reconheceu a excelência de Aquela que o trouxe ao mundo e daqueles que o criaram.

Como tudo, a veneração de Maria evoluiu ao longo do tempo. Nos primeiros três séculos, a veneração de Maria estava fundamentalmente integrada no culto de seu Filho.

A oração mais antiga conhecida à Virgem Maria é o “Sub tuum præsidium”, que data do final do século III ou início do século IV.

Fontes confiáveis relatam a venerada menção de Maria na Oração Eucarística datada de 225 d.C. e nas festas da Encarnação, Natividade, Epifania, etc. Ele também honrou sua Mãe.

Na Idade Média, no Oriente, a devoção se concentrava na Maternidade Divina de Maria, celebrando sua Imaculada Conceição e Assunção, embora ambos os dogmas tenham surgido muito mais tarde.

São Bernardo de Claraval, por meio de seus escritos, influenciou o auge da veneração e do culto à Virgem Maria.Com sua oração “Lembrai – vos”, São Bernardo enfatiza o papel de Maria como mediadora entre Deus e a humanidade.

No final do século XI, surgiu o hino “Salve Regina”, inicialmente difundido pelos cistercienses e posteriormente pelos dominicanos.

No Concílio Vaticano II, a constituição dogmática Lumen Gentium abordou amplamente a missão de Maria na obra da salvação, refletindo sobre sua relação com a Igreja e sobre a veneração da Virgem Maria, conferindo-lhe uma devoção especial e permanente. Essa devoção se expressa por meio da veneração, do amor, da invocação e da imitação da Mãe de Deus, mas seu único propósito é um conhecimento e um amor mais profundos por Deus.

O Concílio Vaticano II, juntamente com as diretrizes da “Exortação Apostólica Marialis Cultus”, serviu de base para a publicação deste Missal da Virgem Maria, aprovado em 15 de agosto de 1986.

Na Lumen Gentium, podemos reunir os argumentos em favor da excelência na veneração da Santíssima Virgem: A Virgem merece veneração especial “porque ela é a Santíssima Mãe de Deus”. A dignidade de sua maternidade divina e toda a procissão de graças que a acompanham elevam a Virgem a um grau excepcional de excelência “porque ela participou dos mistérios de Cristo”. Ao se unir em solidariedade à missão redentora, Maria adquiriu dignidade excepcional;

“porque ela foi adornada pela graça de Deus, à semelhança de seu Filho, acima de todos os anjos e de todos os homens”. Maria merece ser objecto de uma devoção única porque é Rainha do Reino escatológico conquistado por Cristo Rei.

O mesmo concílio oferece as seguintes diretrizes para a devoção mariana:

Adaptar a doutrina e a devoção mariana às fontes do pensamento cristão. Em outras palavras, a doutrina concernente a Maria deve estar fundamentada na Sagrada Escritura e nos ensinamentos dos Padres da Igreja;

Integrá-la à Eclesiologia e à História da Salvação. Ao examinar os documentos conciliares, a doutrina mariana situa-se num quadro dinâmico da História da Redenção,

Inserir Maria no movimento missionário e litúrgico da Igreja. Maria é um modelo para “todos aqueles que colaboram na missão apostólica da Igreja para gerar vida nova para a humanidade” (Lumen Gentium, n. 65). Além disso, as devoções marianas devem ser organizadas de modo a conformarem-se à sagrada liturgia entre o povo, dela derivarem e a conduzirem;

Assegurar que a devoção mariana promova o progresso do movimento ecuménico. No que diz respeito às práticas devocionais marianas, o Concílio Vaticano II, na Constituição Lumen Gentium, define a verdadeira devoção a Maria, afirmando que:

“Sua origem reside na fé, na adesão ao ensinamento revelado sobre a Mãe de Deus;

Seu propósito principal é reconhecer a excelência da Virgem;

Seu propósito secundário é aumentar o amor por Maria e imitar suas virtudes.

Há três elementos que devem constituir esta devoção:

Reconhecimento da excelência de Maria;

Amor filial, porque este conhecimento conduz naturalmente ao amor, pois “a fé opera pela caridade”;

Imitação de suas virtudes.”

Entre as orações marianas, duas se destacam: o Angelus, que recorda o momento marcante da Anunciação e o “Sim” de Maria, uma resposta sempre repetida, mesmo nos momentos mais dolorosos, como aos pés da Cruz, onde a excelência de Maria em relação a todas as criaturas se torna evidente; e o Santo Rosário, que a Virgem Maria frequentemente nos pede para rezar pela paz e conversão dos pecadores. Esta oração demonstra claramente a íntima relação de Maria com seu Filho, à medida que acompanhamos a vida dEle através dela. Lúcia responde àqueles que acreditam ser incorreto rezar o Rosário diante do Santíssimo Sacramento por diminuir o papel central de Nosso Senhor Jesus Cristo, afirmando que a Ave Maria é uma oração profundamente eucarística porque nos lembra que Maria foi o primeiro tabernáculo na Terra. Em última análise, é uma oração comunitária e bíblica centrada no mistério de Cristo.

Aproveitemos bem este resto do mês de Maio para aumentar o nosso amor à nossa Mãe que nos levará ao seu Divino Filho.

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9