Olavo Bilac nasceu em 1865, no Rio de Janeiro, e faleceu em 1918, também no Rio de Janeiro; o autor foi um poeta, jornalista, cronista e contista brasileiro. Ele recebeu a alcunha de “príncipe dos poetas brasileiros”, e é considerado o principal autor do parnasianismo no país (onde produziu uma poesia perfeita, baseando-se num ideal de “arte pela arte”).
Sua obra poética ficou conhecida não só pelo rigor formal parnasiano, mas também pela divulgação de seus valores cívicos, nacionalistas e republicanos. A maior parte de seus poemas foi reunida no livro Poesias, publicado em 1888 e ampliado em 1902. Escreveu ainda poemas voltados para o público infantil, reunidos no livro Poesias infantis de 1904, e em sua última obra, o livro de sonetos Tarde, publicado em 1919. Além de sua carreira poética, Olavo Bilac foi também uma importante figura pública durante a Primeira República Brasileira, tendo sido membro fundador da Academia Brasileira de Letras, defensor do serviço militar obrigatório, e letrista do Hino à Bandeira do Brasi. Bilac viveu sozinho, em consequência de diversos descasos amorosos, sem constituir família até o fim de seus dias; seu falecimento foi vítima de edema pulmonar e insuficiência cardíaca.
Suas principais obras são as da Academia de Letras, dentre os escritos do autor, destacando-se mais de vinte textos, por exemplo, Hino à Bandeira, Língua Portuguesa (sonetos), Poesias e ” Ouvir as Estrelas”.
Como se sabe, o autor se destacou pelo caráter plural das suas obras, tendo se dedicado aos sonetos de amor, mas também às composições voltadas para o público infantil, passando ainda pelos comentários políticos e sociais.
Vamos “ouvir” alguns textos de Olavo Bilac.
Primeiro: “A um poeta”; Longe do estéril turbilhão da rua, / Beneditino escreve! No aconchego / Do claustro, na paciência e no sossego, / Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua! / Mas que na forma se / disfarce o emprego / Do esforço: e trama viva se construa / De tal modo, que a imagem fique nua / Rica mas sóbria, como um templo grego / Não se mostre na fábrica o suplicio / Do mestre. E natural, o efeito agrade / Sem lembrar os andaimes do edifício: / Porque a Beleza, gêmea da Verdade / Arte pura, inimiga do artifício, / É a força e a graça na simplicidade.
Um dos sonetos mais famosos de Olavo Bilac, este parece ser um recado A um poeta, no qual o sujeito transmite a sua visão e os seus conselhos acerca do ofício da escrita.
Ele apresenta o processo da criação poética como um trabalho duro, complicado, sofrido até. No entanto, deixa claro que, na sua opinião, esse esforço não deve ficar evidente no produto final.
Isto porque, na sua perspectiva, a beleza estaria na ausência dos artifícios, naquilo que é aparentemente simples, mesmo que o processo que esteve na sua origem tenha sido extremamente complexo.
“A um poeta”, é esta a força que nos propõem a graça e a simplicidade de seu empenho.
Segundo: “Ora (direis) ouvir estrelas!” “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo / Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, / Que, para ouvi-lo, muita vez desperto / E abro as janelas, pálido de espanto … / E conversamos toda a noite, enquanto / A via láctea, como um pálio aberto, / Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, / Inda as procuro pelo céu deserto. / Direis agora: “Tresloucado amigo! / Que conversas com elas? Que sentido / Tem o que dizem, quando estão contigo?” / E eu vos direi: “Amai para entendê-las! / Pois só quem ama pode ter ouvido / Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
Parte de uma coleção de sonetos intitulada Via Láctea, o poema é um dos mais famosos de Olavo Bilac e continua sendo bastante popular. Versando sobre um tema eterno – a paixão – o poético parece responder às críticas que recebe daqueles que o rodeiam.
Um homem apaixonado, ele conversa com as estrelas e é incompreendido, encarado como um sonhador, ele explica que aqueles que não entendem, precisam se apaixonar.
Assim, o amor surge como algo mágico, transformador; é como se, por amar, o sujeito descobrisse uma realidade própria dos apaixonados, que só eles conhecem e parece absurda para os demais.
Terceiro: “Língua Portuguesa” / Última flor do Lácio, inculta e bela, / És, a um tempo, esplendor e sepultura: / Ouro nativo, que na ganga impura / A bruta mina entre os cascalhos vela… / Amo-te assim, / desconhecida e obscura, / Tuba de alto clangor, lira singela, / Que tens o trom e o silvo da procela / E o arrolo da saudade e da ternura! / Amo o teu viço agreste e o teu aroma / De virgens selvas e de oceano largo! / Amo-te, ó rude e doloroso idioma, / Em que da voz materna ouvi: “meu filho!” / E em que Camões chorou, no exílio amargo, / O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Um dos sonetos marcantes de Olavo Bilac, este poema se debruça sobre a própria língua portuguesa e a sua história, relembrando que o idioma surgiu a partir do latim vulgar.
Ao mesmo tempo suave e bruta, a língua assume diferentes usos e propósitos, tendo atravessado o próprio oceano Atlântico para chegar ao Brasil.
Ao final, nos damos conta de que este idioma e o nosso anterior são o mesmo, eles se falam com a nossa mesma linguagem.
Aproveitem desses textos de OLAVO BILAC !

