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Sinais dos tempos atuais com sentido do Alto?

  • Julho 3, 2026
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

Jesus Cristo pediu aos ouvintes atenção aos sinais dos tempos como sinais de sentido do Alto para a sua vida. Um dia lamentou que alguns liam bem os sinais atmosféricos, mas eram cegos para os sinais do Reino de Deus. Nicodemos veio procurar Jesus, de noite, para um colóquio restrito com Ele e recebeu uma compreensiva admoestação de ser mestre em Israel e ler bem o sentido dos sinais milagrosos realizados por Jesus. Mostravam a sua união com Deus, mas não entendia que nascer de novo era nascer da água e do Espírito – de Deus – (cf. Jo 3) para uma realidade nova.

Em tempos como os de hoje, com os choques globais do sismo na Venezuela e tantos outros factos tristes, dolorosos e trágicos, injustiças, guerras e calamidades, vindos das ações dos homens e da natureza, como é que os batizados leem estes sinais? Ainda recentemente o Instituto da Paz (Institute for Economics & Peace – IEP) escrevia que havia 61 focos de guerra no mundo. Fica sempre a questão: que sentido do Alto têm estes sinais? Serão só convite a lamentar-se e chorar ou terão outros sentidos significativos?

Os sinais do Alto, do Espírito, não têm que ser lidos só em chave de tristeza, mesmo que causem sofrimento e desânimo. Muitos deles pedem leituras de esperança vinda do Espírito, como a daquele autor que meditou a leitura da Bíblia, A. e N. T., escreveu o livro com um título desafiante: Espero morrer (Scott Hahn 2023).E ressuscitar. Vale a pena ir respigando e lendo, em atitude de escuta mental e espiritual, alguns sinais de esperança que nos são diariamente expostos das mais diversas maneiras para leituras ao acaso, mesmo as da maquinaria digital. O dia 13 de junho, por exemplo, trouxe um exemplo quando D. Rui Valério (atual Patriarca de Lisboa) lembrou que Santo António «continua a ser um sal capaz de transformar a humanidade» e frei Miguel Loureiro dizia que os milhares de peregrinos ao seu lugar de nascimento mostram que «há apetite e fome de Deus» e louvor a Deus na Eucaristia».

A visita do Papa Leão XIV a Espanha, aplaudido longamente no seu discurso na Arena Movistar, em Madrid, no dia 7 de junho falou de tecer redes com as diversas atividades humanas não apenas de produção de qualquer coisa, mas para promover a dignidade humana, o bem comum, a harmonização da vida e sua impregnação de eternidade.

Sinal de sentido bem legível aconteceu na cidade de Orlando nos EUA, no dia 11 de junho, em que 215 bispos americanos, de entre 230, tenham concordado consagrar este país ao Sagrado Coração de Jesus; e que na Irlanda do Norte, no dia 13 de junho de 2026, se tenha realizado a primeira procissão Eucarística da sua história com 6.000 pessoas, como noticiou ACI Digital. Uma agência anotava que cerca de 500 sacerdotes na Inglaterra, ordenados entre 1992 e 2024, passaram de pastores anglicanos à Igreja católica, segundo a Sociedade São Barnabé inglesa. E outra agência notava que em  França 30% dos sacerdotes atuais são de origem africana e asiática.

Muitas leituras casuais de dezenas de jornais e newsletters online e outras, em várias línguas, podem abrir o horizonte para surpresas de sentido elevado da vida humana e temperar de esperança tanto caos babilónico.  Permitam um desafio destes sinais. As calamidades e eventos violentos e dolorosos podem não ser totalmente incompreensíveis e negativos; e serem até sinais do Alto.

Podem ser males que vêm por bem: unem as pessoas, promovem a solidariedade generalizada, como se dizia em entrevista sobre a calamidade do sismo na Venezuela (Gil Caldeira, JM 26.06.2026 p.9). “Se havia divisão deixou de existir”. O sofrimento pode continuar, mas com bem presente.

A estes sinais outros se poderiam acrescentar que vão indiciando que se podem estar a viver sinais prometedores e não apenas a avalanche dos negativos, que ensombram o mundo.

Neste domingo XIII do ano A, Jesus reafirmava que era Filho Deus e o primeiro a ser amado antes de todas as pessoas criadas por Deus: pai, mãe, filhos, filhas. E reafirmava também que veio como  Deus e homem; não para evitar que os homens morressem, mas para quem a perdesse a vida por sua causa a encontraria pela ressurreição (cf. Mt 10, 37-42). Morremos com Cristo e fomos sepultados com Ele pelo Batismo, para ressuscitar, Também, como Cristo, diz S. Paulo na segunda leitura (cf. Rom 6, 3-4.8-11).E na sua festa S. Pedro foi também sinal: “a quem iremos: só tu tens palavras de vida eterna?”( Jo 6, 69).

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