Pular para o conteúdo

Budapeste

  • Setembro 18, 2026
  • História
  • José Maria C. da Silva André

Memorial aos mortos russos. A legenda diz, em russo e em húngaro: «Glória aos heróis soviéticos, libertadores».

 

Este ano, o congresso Railways 2026 foi em Budapeste, dando-me a oportunidade de conhecer esta cidade e, como tenho amigos a viver lá, eles ajudaram-me a aproveitar ao máximo o tempo disponível.

A primeira sensação é a de uma cidade imperial, de fachadas imponentes, com um urbanismo consolidado e coerente. A arquitectura não é monótona, mas os edifícios têm a mesma altura (4 ou 5 andares) e integram-se num estilo semelhante.

O contraste é notório para quem vai de Portugal, onde a mesma rua tem prédios de 20 andares, moradias em ruínas, prédios modestos do século XIX, construções modernistas e caixotes de alumínio… Budapeste já tinha metropolitano no século XIX, mais funcional que o de Lisboa. As ruas são amplas e o transporte colectivo eficiente, de modo que os automóveis não tiveram de tomar conta da cidade. Enfim, tudo ao contrário de Portugal, em que o caos urbanístico se agrava com a desordem automóvel.

Os húngaros são particularmente simpáticos! É verdade que têm o defeito de falar húngaro, mas compensam essa deficiência com o domínio bastante generalizado do inglês e uma enorme empatia comunicativa.

Reparando nas estátuas que há pela cidade, dei-me conta da quantidade de grandes compositores de origem húngara. Franz Liszt, Béla Bartók, Zoltán Kodály, György Ligeti, Ernő Dohnányi… Vários restaurantes oferecem música clássica ao vivo, geralmente de violino. Na Missa, o coro era esplêndido e o organista notável.

Não estava à espera de encontrar entre a população uma consciência tão viva do horror do comunismo. Em muitos monumentos importantes existe uma placa a informar «destruído pelos comunistas no ano… reconstruído no ano…».

Na margem Sul do Danúbio, há um santuário curioso, escavado na rocha de uma falésia. Os comunistas destruíram as imagens, usaram primeiro o espaço como escola de dança e depois fecharam as grutas com uma parede de 2 metros de espessura em betão. Obviamente, mal a Hungria se viu livre dos soviéticos, reconstituíram o santuário. Um dos altares está dedicado a Nossa Senhora de Fátima e tem relíquias do Francisco e da Jacinta, pastorinhos de Fátima. Como noutros sítios, lá está a placa: «destruído pelos comunistas… reconstruído…».

O jardim da Praça da Liberdade é outra história curiosa. Os comunistas ergueram lá um memorial aos mortos russos na guerra e, quando a Hungria adquiriu a liberdade, depois da queda do Muro de Berlim, todos os monumentos da era comunista foram removidos para um parque específico, excepto este, objecto de acordo diplomático entre os dois Estados. Os húngaros respeitaram a exigência, mas começaram por colocar ao lado uma estátua de Ronald Reagan. Não satisfeitos com isso, em 2020, o anterior Primeiro-Ministro Viktor Orbán, conhecido pelo seu enorme receio do poder militar da Rússia, atreveu-se a acrescentar à estátua de Reagan outra de George H. W. Bush (o Bush-pai). A poucos metros, a estátua do general norte-americano Harry Hill Bandholtz, considerado protector do património cultural húngaro. Pelos parques da cidade, há mais estátuas de Reagan e de outras personalidades norte-americanas, algumas desconhecidas para mim. O Museu Nacional da Hungria exibe neste momento uma exposição intitulada «American Dream».

Enfim, percebe-se que os húngaros têm pavor de voltar a viver num regime comunista.

Já agora, deixo uma constatação curiosa. Dos mais de 200 investigadores na área dos caminhos de ferro que participaram no congresso, a quase totalidade eram homens. Não sei se as mulheres chegavam a meia dúzia. Estavam todas perfeitamente integradas, o seu trabalho foi reconhecido como o de todos os outros e julgo que elas se sentiram bem naquele ambiente. No entanto, é impossível esconder a estatística. Por que é que tão poucas mulheres se interessam por comboios?

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9