Semanas atrás uma pata selvagem aterrissou em nossa área. Banhou-se no açude, comeu por dois ou três dias e bateu asas. Desde então foi e voltou algumas vezes e neste intervalo colocou cinco ovos. O curioso é que prefere a companhia dos gansos à das galinhas. Nada com eles e repousa em suas imediações. O que pensa da vida?
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Como o sapateiro não deve ir além das chinelas, confesso que tive um torcicolo mental por conta de meu desconhecimento acerca do processo eleitoral. Passamos quatro anos a escutar suspeitas acerca de nossas urnas eletrônicas porque não são auditáveis, porquanto não se pode comprovar o voto numa determinada seção eleitoral.
Tomemos um exemplo simplório, mas pedagógico. Imagine-se que eu tenha votado no candidato A. Apuradas as urnas da seção em que votei constata-se que todos os votos foram atribuídos ao candidato B.
Por óbvio saberia que algo está errado e que a apuração da respectiva urna deveria ser anulada. Mas não teria como provar porque não há o voto impresso, que aliás até o Paraguai implantou. Mas as urnas são indevassáveis, não são?
Se as urnas não podem ser invadidas, hackeadas, penetradas, então o risco de fraude desloca-se das urnas para a contabilização dos votos. Moraria aí o perigo? Os mais desconfiados apontam a mudança da tendência na apuração após a paralisação por muitos minutos como possível rastro de um algoritmo capaz de alterar o resultado do pleito. Quem liderava começa a cair quase linearmente e quem perdia inicia uma recuperação, também quase linear.
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Fui convencido de que nosso processo eleitoral é refratário a fraudes. E os tantos que manifestavam sua enorme desconfiança passaram a acreditar na total lisura do processo depois de firmes declarações de inúmeras de nossas autoridades e da caracterização penal para quem duvidar do mesmo.
Registre-se que os que duvidavam eram os que perderam no último pleito para a presidência do país. Os que ganharam fizeram coro para o processo, que elogiaram até a semana passada. Quem duvidava era taxado como antidemocrático, pregador de golpe e sujeito a penalidades.
Quis o destino que os vencedores em 2022 ficassem em segundo lugar no primeiro turno deste ano e, parece, correm sério risco de serem derrotados no segundo turno. Presumivelmente, nada a reclamar. Quem reclamava, venceu. Quem vencera, contestava contestações e as execrava como atentados à democracia.
Eis que a vida pode surpreender e as teorias da conspiração bateram em outra praia. O jornalista internacional, Pepe Escobar, identificado com a esquerda e portanto defensor da candidatura derrotada no primeiro turno, levantou a suspeita de que houve ataques sofisticados, precisos e sutis (https://www.youtube.com/watch?v=7Iq52eoukzQ).
Para sugerir interferência externa, baseia-se no fato de que a Polymarket já previra o resultado e que esta casa de apostas tem ligações com a Palantir, empresa norte-americana nas áreas de software, análise de dados, IA e coopera com a CIA e outras agências daquele país.
Como pato, não desafio os gansos, mas apostas não passam de apostas, ou a IA pode antecipar os números da Mega-Sena?
O que surpreende o pato que habita em mim é a mudança de discurso.
Afinal, o processo eleitoral brasileiro é 110% seguro ou é frágil diante de ataques sofisticados, precisos e sutis?