No meu tempo de guri, por incrível que pareça, ouvi e lembro-me, de uma conversa do meu pai com outro comerciante. O seu Arno falou de uma proposta, a si feita, para a compra de terrenos, localizados acima da Capelinha do Rosário. Recusou a oferta, sob a alegação de que Montenegro jamais cresceria para “aqueles lados”. O colega deu-lhe razão.
E o que se vislumbrou, tempos depois: o grande mato de eucaliptos, ao longo da curva na Buarque, veio abaixo; a área foi dividida e os terrenos vendidos. Construções aconteceram e a paisagem ganhou nova dimensão. A cidade, em crescimento, já alcançando o Porto dos Pereiras e, cada vez mais, novos loteamentos acontecem.
Então, me lembrei da minha Ramiro nos anos 1950 e seguintes; a cidade, praticamente, acabava na Rua Osvaldo Aranha. A alta Ramiro era uma pista de chão-batido; as calçadas eram incompletas, com espaços de terra. Então, sob a administração de Germano Henke, o calçamento iniciou.
O homem responsável pelas obras era conhecido por “TAVINHO CALCETEIRO”. Um senhor gordinho, que caminhava por entre os empregados, sempre dando ordens e cuidando para que tudo fosse bem feito. E ele conseguiu. Praticamente, grande parte do asfalto de nossa cidade, está assentada sobre a estrutura deixada pelo Tavinho, seus filhos e empregados.
Daí os nossos jogos, no meio da rua de chão-batido, terminam. Acabou o certame das bolinhas de gude, com o acinho, o ação, o busão e a águida. Terminaram com o jogo de cabeça, gol-a-gol, caçador e tantos outros brinquedos que praticávamos na calçada e na rua.
Hélio Alves, em sua administração, a seguir, deu continuidade ao calçamento e asfalto de nossas ruas centrais. Eles deram causa ao desenvolvimento de nossa cidade. Quer queira, quer não queira – porque avaliar o passado, com os olhos postos no futuro, sem retroceder para entender – não tem nenhum valor. Somos fruto de um tempo social, com regras próprias e comportamento adequado aos valores transmitidos por nossos pais e professores.
Somos aqueles que lutaram por melhores dias, pelo crescimento de nosso Município. Mesmo avançados em idade cronológica, observamos as idiossincrasias da nossa juventude, já que, aos que demos causa, por nascimento e continuidade, encontram-se neste rol.
Somos o horizonte de cada um dos nossos descendentes; a vida seguirá, mesmo quando o nosso ocaso chegar. ENQUANTO vivos e lúcidos, conclamamos a cada um, dos que dividem as páginas sociais da moderna informática e internet, a cumprirem os ditames sociais.
O dever para com o nosso querido Município está na realização conjunta do BEM COMUM. A cidade cresceu porque novas pessoas, ao seu chão chegaram. Crescer implica responsabilidade e cada um de nós deve assumir a sua parcela.
Montesquieu dizia que nascemos totalmente livres; abdicamos uma parte de nossa liberdade, para que possamos viver em uma comunidade e interagir com nossos semelhantes, também titulares de direitos.