Pular para o conteúdo

Eleições

  • Agosto 8, 2026
  • Política
  • João Baptista Teixeira

 

Havia meses não vínhamos ao litoral. Gosto de dormir com a janela aberta, no verão, escutando o marulho, ou apenas com o vidro nas noites mais frias para que a luz da manhã invada minha vida e a convide a uma nova aurora.

Capotamos cedo. Acordei por volta das seis da manhã, ainda escuro. Dei de mão num livro e já saí entreverado entre a poeira do tempo e a fumaça da imaginação, parafraseando Jayme Caetano Braun. A quietude da manhã foi puro deleite e avancei em “Santa Joana D´Arc”, de V.Sackville-West. O pano de fundo é a Guerra dos Cem Anos, encerrada em 1453.

O conflito começou por conta da reivindicação de Eduardo III, rei da Inglaterra, à coroa da França. Os ingleses a invadiram e suas rápidas vitórias marcaram o início do conflito. Apenas em 1429 a sorte passaria a favorecer a França, com a ajuda de Joana D´Arc.

Vale lembrar que naquele tempo a nobreza, além de possuir riqueza e poder, deveria demonstrar bravura no campo de batalha. Vivia do trabalho dos camponeses, mas lhes devia lealdade e tinha a obrigação de protegê-los. O simples emprego massivo de buchas humanas de canhão não era o modelo de então. Reis morriam em combates, como foi o caso de D.Sebastião na Batalha de Alcácer Quibir, no Marrocos.

D.Sebastião levara consigo o escudo e a espada do primeiro monarca, D.Afonso Henriques. Seu corpo nunca foi encontrado, o que gerou a expectativa de que retornaria, conhecida como Sebastianismo. Sua morte gerou uma profunda crise sucessória, que resultou no domínio espanhol por longos sessenta anos.

Retornemos porém à França, invadida pelos ingleses, cuja padroeira viria a ser muito depois a humilde camponesa que libertaria seu país. Muito, entretanto, muito antes de Rouen, onde Joana DÁrc será martirizada, pulo da cama e deixo a leitura pra trás.

Tomo um café generoso e ganho a praia para uma longa caminhada. Venta muito e a areia fina, que pinica as canelas, me remete à lâmina d´água, da qual não me afasto por quilômetros. O mar está recuado, quase sem ondas. Tem marolas, tal a ventania, que gaivotas, biguás, piru-pirus e outras aves vencem com visível dificuldade.

————– x ————–

Aquela caminhada contra o vento, cabeça inclinada, buscando proteção para os olhos na aba do boné, me pareceu uma metáfora do tempo que vivemos. Tempo de apreensões, quando o sujeito pode duvidar até da existência de Deus, mas será condenado se duvidar das instituições.

Se o ceticismo exagerado é até sinônimo de burrice, condenar a livre contestação é poderosa máquina de acovardado emburrecimento. Se pensadores e filósofos se notabilizam por formular perguntas e buscar suas respostas, impor a um povo o silêncio diante de absurdos é o rastilho de uma ditadura. Mesmo que nas aparências tudo pareça funcionar. Só porque votamos.

Como avançar com dezenas de partidos? Como respeitar legendas de aluguel? Como engolir o faustoso fundo partidário? Como tolerar partidos que deveriam ter sido extintos por conta de escândalos? Como admitir siglas que defendem a extinção da propriedade privada, direito fundamental previsto no Artigo 5º, inciso XXII, da Constituição Federal?

————– x ————–

Em meio à escassez de bons políticos, o entusiasmo popular pelo pleito é nenhum, ainda que entre os que vivem da política a fervura mal tenha começado. É tempo de garantir benesses. Já há quem pense que a democracia, como a imaginava a patuléia, é página virada.

Salvo exceções, há muito votamos nos menos ruins. Ou no mal menor, como pregou Santo Tomás de Aquino. Este Doutor da Igreja partiu da idéia de que o mal não é uma coisa real, mas a ausência de um bem. Assim, quando nos deparamos com escolhas que, todas elas, causarão prejuízo, deve-se optar por aquela que implicará no menor dano. Portanto não há como votar nos que já se provaram rematados canalhas. A menos que sejamos estúpidos.

Será que somos?

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9