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Encontros de agosto pelo sul

  • Setembro 3, 2026
  • Cultura
  • Padre Aires Gameiro

 

Pelo Alentejo, as férias permitiram-nos uma volta de encontros casuais: Setúbal, Troia,  Comporta, pelos condomínios dos mais ricos do mundo, sem nos impedirem e sem encontrar nenhum dos personagens de topo que vão sendo badalados com mexericos jornalísticos e a questão se vão tornar-se soberanos de pedaços da orla marítima e das praias.

Em Sines observamos o crescimento industrial e portuário, com almoço em miradoiro sobre o porto de molhes de proteção em círculos abertos. Muita tubagem por aqui e ali, refinaria, grandes armazéns, etc. Agora pela orla marítima até Porto Covo, com paragem para a sesta à sombra das árvores.

Passando ao lado de S. Tiago do Cacém, queríamos ver vilas nunca percorridas e ter encontro programado, de saudade, com amigo de longa data, em Grândola, para pôr a conversa em dia. Rezámos o terço no 13 de agosto na Igreja Matriz com pequeno grupo e, com o Pe. Francisco Bento, também de férias, estudante no Instituto Bíblico em Roma, presidi à missa  e recordei a minha primeira comunhão e ida a Fátima aos 7 anos, a pé. O jantar foi em restaurante local e dormida em AL, paga “à traição” pelo amigo que foi meu aluno pelos anos 1970. É colaborador paroquial, quase como diácono e já antes, em Alcácer do Sal. Viera de Pombal para Formador em Pinheiro da Cruz donde se reformara.

No segundo dia, espera-nos Ourique, outra vila nunca vista e a surpresa de uma placa a confirmar que a batalha de Ourique aconteceu mesmo. Bela vista, do ponto mais alto, pequeno almoço na rua principal inclinada. O destino antes programado era Castro Verde (veteris, velho), também desconhecida dos passeantes. Não se esperava encontrar uma basílica real tão imponente de portas abertas com um empregado da Câmara Municipal atencioso que facilitou um folheto com a história da igreja e o motivo da sua construção, o milagre de Ourique, construída, primeiro por D. Sebastião e reconstruída na totalidade por D. João V. Belos painéis de azulejo sobre a batalha e muita talha de arte. A visita foi muito apreciada e, mais ainda, pelo facto de a igreja estar aberta.

Tínhamos um encontro casual decidido pelo caminho por telefone. A pessoa ia receber-nos em Almodôvar onde vivia e trabalhou desde os anos 1970 a tratar doentes. É médico, e ex-companheiro doutros encontrados. Foi o nosso primeiro encontro desde o tempo de estudante. Conversa animada e longa, mostra-nos a bela casa onde vive e guia-nos pela vila a visitar a igreja matriz, uma senhora tem o emprego ad hoc para estar de serviço e acolher os visitantes. O nosso médico despediu-se com indicações de como podíamos passar pelas minas de Neves Corvo, em laboração, das quais se afirma serem a maior jazida de cobre da Europa. Uma riqueza! Passámos  por elas sem nos atardar porque o nosso circuito alentejano ia só a meio.

A meta agora era Mértola, mais a pensar no estômago e nas paisagens que na igreja mesquita. Um restaurante refrescado, com vista para o Guadiana e a ponte veio a calhar, com caldeirada de enguias em que fui desiludido de que não eram deste rio. Eram do Norte. Caíram bem. Com o horário das missas em Moura na lembrança por ser aniversário de ordenação, rodámos até encontrar um lugar para na estrada para Serpa e Pias, região de outras minas. Ao entrar em Moura, procurámos a Igreja de Santo Agostinho ao lado do Hotel de Moura, em edifício classificado do século XVII por ter sido o hospital militar em que os Irmãos de S. João de Deus assistiam militares que tinha visitado por 2006, antes de ser adaptado a hotel. Entrámos na igreja do santo de Hipona, mas nem padre nem missa. Fomos à matriz, fechada. Pena! Um dos meus mestres dizia: desejaste? já fizeste. A Missa ficou para o  dia seguinte.

No bar  do jardim esperava um gelado. Era preciso encontrar hotel perto de Campo Maior. Num grande raio à volta, por a vila estar na Festa do Povo, só Alter do Chão, terra dos cavalos lusitanos, nos podia valer com o Hotel-convento. Para lá chegar era preciso atravessar pela barragem do Alqueva, ladeá-la por Reguengos, Redondo, Estremoz, Sousel e Fronteira onde nos esperava o jantar com pizza avantajada que chegou para o almoço do dia seguinte.

O hotel de 4 estrelas, reservado pelo Irmão Augusto, até tinha piscina ao ar livre que não usamos. Tínhamos que chegar ao convento das Irmãs de Santa Beatriz  a tempo da missa das 9h do dia 15. Não foi fácil pelas barreiras da PSP. Dizia-lhes que tinha que ir celebrar, e um deles informou: digam aos meus colegas no próximo controlo que querem chegar à Casa Mortuária. Chegámos mesmo a tempo. Igreja cheia, e 18 irmãs sendo duas noviças, e o capelão  a dizer-me que presidisse e pregasse.

Foi uma graça e uma alegria celebrar nesta igreja, no aniversário da ordenação e da missa nova com tão belo coro e instrumental de Irmãs. Estavam radiantes e no fim da missa a Irmã Inês, a Abadessa, convidou-nos para o almoço. Não aceitámos por motivos de programa. Visitamos algumas das 90 ruas enfeitadas por coberturas de flores de papel a cores, que mudavam em cada rua.

Era a festa do Povo e também de Santa Beatriz da Silva. Percorremos meia dúzia de ruas, qual delas a mais caprichosa e demoramo-nos na Casa natal da Santa, museu com excelente apresentação biográfica.

Deixamos esta mensagem no livro de visitantes: “Sinto-me muito contente por visitar Campo Maior no dia 15 de agosto de 2026 e de ter celebrado missa das 9h no convento. Louvo o Senhor e agradeço esta oportunidade de celebrar os meus 66 anos de ordenação de sacerdote e de missa nova na igreja do convento. Esta terra teve um convento-hospital militar de S. João de Deus. Ele e Santa Beatriz foram os únicos dois santos portugueses fundadores de ordens religiosas. Sou devoto de Santa Beatriz, a predestinada desde menina e de Nossa Senhora que a tomou ao seu cuidado. C. M., 15 de agosto de 2026. Pe. Aires Gameiro, O.H., Irmão de S. João de Deus”.

Ficamos com pena que tenham apagado o nome da rua S. João de Deus que seria junto ao hospital militar onde os Irmãos tratavam os doentes. Agora íamos passar por Vimieiro e almoçar no parque de merendas com o resto da pizza da véspera e dormir a sesta sobre a folhagem das suas árvores. Passamos ao lado da herdade da Tourega onde, aos 11 anos, passei o mês de junho a ceifar trigo com “ratinhos” adultos.

Nas imediações de Aviz a curiosidade levou-nos ao “Fluviário Gameiro” (sic). Surpresa! Agora faltava passar ao lado do, ainda inexistente, aeroporto Luís Camões e entrar em Alcochete onde o Padre Cruz nos abre os braços da sua imponente estátua de bronze conhecido por mim em 1943 na Casa das Marquesas da Tapada das Mercês e depois na Escola Apostólica no Telhal, hoje Museu S. João de Deus.

Amanhã começa nova fase de encontros de férias. Lá iremos.

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