Os jornais noticiaram que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu (13 de Julho) abrir processos contra os canais de televisão TVI/CNN, CMTV e Now por terem emitido um anúncio. Escandalosamente, um anúncio a afirmar o valor da vida humana!
As multas oscilam entre 20 e 150 mil euros!
As deliberações da ERC são exemplos exuberantes de estilo burocrático e enfatuado: o que se pode dizer com clareza em 20 linhas, a ERC di-lo de forma confusa em 20 páginas. Infelizmente, só conhecemos pelos jornais este processo contra as televisões que tiveram a coragem de transmitir o anúncio a agradecer o dom da vida, porque, apesar do tempo que passou, ainda não é possível consultar no «site» da ERC o texto da deliberação. Provavelmente, é mais um daqueles escritos intermináveis, impossível de citar textualmente nas páginas de um jornal.
Gostaríamos de ter um regulador com isenção e temos um órgão fanático e ineficiente, incapaz de gerir o seu próprio «site» com clareza.
Segundo o que se percebe das notícias, em vez de uma argumentação lógica, este processo da ERC contra os canais de televisão baseia-se num encadeamento de ideias entrelaçadas. A sequência parece resumir-se assim: agradecer a vida é manifestar apreço pela vida humana; dar valor à vida é criticar implicitamente um assassinato; portanto, o anúncio é contra o aborto. Ora, segundo a ERC, o ideal do aborto não pode ser posto em causa.
É evidente que quem defende realmente a vida não aprova o aborto de um bebé, mas concluir que é melhor não defender a vida…
O nível de fanatismo da ERC —não é a primeira vez— é chocante, pela cegueira e pelo descaramento. Não lhes basta defenderem as suas ideologias decadentes, proíbem e condenam quem não as apoia.
Curiosamente, em Maio passado, a ERC pronunciou-se sobre o programa de televisão «Transgénero», que trata de forma explícita de bloqueadores hormonais, de cirurgias genitais (com afirmações do tipo «as meninas podem ter pilinha»), com representação de nudez e referências sexuais e abundante propaganda da ideologia de género. A ERC só encontra palavras de elogio: «linguagem cuidada», «representação de nudez de forma ocasional», referências sexuais «de carácter pedagógico», «um contributo para uma melhor compreensão por parte do público jovem» e nem sequer «se observa um propósito ideológico-doutrinário»! Sim, porque a ERC não defende opiniões! Nem sequer ideologias! O que ERC defende é indiscutível! Ai de quem tiver uma ideia diferente!
Até onde chegará este fanatismo exacerbado?
O vídeo condenado pela ERC intitulava-se «Obrigado Mãe». Apetece estender o agradecimento: «obrigado aos promotores deste vídeo», «obrigado aos canais de televisão que o transmitiram».
Nestes tempos em que é difícil defender a liberdade, e até o próprio valor da própria vida humana, os verdadeiros heróis são os que resistem.
Obrigado!