Ilustração da Brasil Paralelo: Os principais métodos para fazer um aborto
Atendendo demandas de conservadores, que atribuíam ao uso do álcool violência doméstica, pobreza e corrupção, os Estados Unidos decretaram o controle da comercialização de bebidas alcoólicas entre 1920 e 1933. Como hoje sabemos, foi um grande tiro no pé. O contrabando, comandado por gangsters, resultaria em corrupção das forças de repressão e em crimes que mancharam a história daquele país.
Por falar em conservadores, devemos lembrar que nas origens da formação da nação norte-americana há uma pedra angular, um evento que fundaria sua identidade: os colonos ingleses que desembarcaram do Mayflower em Massachusetts construíram o mito do “povo eleito”, numa terra prometida, em que a fé puritana, o trabalho e a família teriam fundamental importância.
Os Estados Unidos eram um país cristão, sem predomínio católico. Possui inúmeras correntes religiosas. Certa feita nos hospedamos num vilarejo nas cercanias de Washington. Ao procurar um mercado cruzei por meia dúzia de templos, todos eles com denominações que jamais ouvira, muitas delas bizarras. Seria o resultado da prolongada e incansável disseminação da idéia de que cada um pode ter a sua igreja?
Dias atrás uma decisão assumida no nordeste daquele país chutou a admirável tradição cristã dos Estados Unidos (https://www.acidigital.com/noticia/69303/massachusetts-adota-aborto-sem-restricao-ate-o-nascimento). Transcrevo abaixo parte do texto:
“A governadora de Massachussets, EUA, Maura Healey, democrata, promulgou lei que permite o aborto em qualquer fase da gravidez no Estado. É o 11º Estado dos EUA a não impor limites ao aborto. A legislação assinada ontem (10 de agosto de 2026) remove todas as restrições estaduais ao aborto depois de 24 semanas. Um aborto eletivo em estágio avançado da gravidez pode ser feito com base no “julgamento profissional do médico” que o realiza, segundo a lei.
“É revoltante que dezenas de milhares de americanos nascituros sejam barbaramente desmembrados, membro por membro, e dilacerados todos os anos. Infelizmente, esse número só aumentará com a aprovação do projeto de lei que permite o aborto até o nascimento pela governadora Healey”, disse Marjorie Dannenfelser, presidente da organização pró-vida SBA Pro-Life America, em comunicado.”
Volta e meia discute-se se o império norte-americano está em decadência. Confronta-se números estatísticos e a balança segue pendendo para os EUA. Possivelmente isto perdurará por muito tempo. Mas a decadência dos impérios não depende apenas da economia, da política ou da estrutura militar, mas também e talvez sobretudo da corrupção moral.
A aprovação do aborto é já um pecado que clama aos céus. Um mês ou 24 semanas, não muda muito: é um crime bárbaro. A abrangência de sua extensão para qualquer momento da gestação é algo inominável, um crime digno de um Herodes. Sua aprovação passa batida, porquanto as pessoas estão com suas consciências adormecidas e seu silêncio coonesta as maiores barbaridades. O que levou o país dos imigrantes do Mayflower a chegar neste ponto?
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Os salamaleques entre amigos, na rede social, é erva daninha. Quando o sujeito desculpa-se na linha do “esta é a minha opinião” incorre numa obviedade, porque se assim não o fosse utilizaria aspas no texto. “Esta é apenas a minha opinião” também trai uma falsa e hipócrita humildade, que se antecipa às pauladas que possam advir. Entre amigos os salamaleques distanciam. Não revelam respeito, mas insegurança e desconfiança.
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A aprovação do aborto em qualquer tempo da gestação é um tétrico indicador de miséria espiritual. Que não mais surpreende, neste tempo em que artistas e atletas são “eternizados” nas calçadas da fama. Ora, se nem o Sol é eterno, como confundir perenizar com eternizar?