Uma de minhas filhas me chama de vereador porque engato conversa com meio mundo. Não sei se ela se dá conta, mas puxou por mim … Dias atrás lembrei da brincadeira quando percebi que a caixa do supermercado falava espanhol. Com frequência pergunto o país de origem e a resposta que predomina tem sido Venezuela. Desta feita, porém, a atendente era cubana.
Perguntei como viera, ou melhor, como escapara, afinal Cuba não autoriza a saída definitiva de sua população. Moradora de Holguin, conseguiu autorização para viajar para o Suriname, podendo ausentar-se por seis dias.
Tanto quanto sei o Suriname, país isolado, com língua única no continente, tem boa relação com Cuba por conta do apoio que prestou a este país, à Nicarágua e à guerrilha de El Salvador no tempo da Guerra Fria.
Chegada em Paramaribo a cubana hospedou-se num hotel, do qual foi extraída no dia seguinte por sujeitos que atuam de forma similar aos coiotes na fronteira entre México e EUA. Seguiu a partir de então um itinerário tenso com esta gente.
Não entrei em detalhes para que a moça não fosse advertida pela gerência do estabelecimento, mas uma rota possível é deslocar-se até a fronteira com a Guiana Francesa, cruzar um rio, percorrer a Guiana até Saint-Georges de l’Oyapock e cruzar o rio Oiapoque a bordo de uma lancha com aproximadamente quinze outros migrantes para finalmente chegar ao Amapá.
Voou então para a Bahia e de lá para Porto Alegre. Uma epopéia.
Como defender um regime falido e mau como o cubano?
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Na cidade em que residimos há muitos venezuelanos, que também deixaram seu país por causa da precariedade em que viviam. São respeitados como pessoas honestas e laboriosas, que enfim encontraram um pouco de paz no Brasil.
Brasil que, sob o pretexto justo de auxiliar pessoas em dificuldade, tem desestimulado o trabalho. O governo distribui peixes miúdos enquanto sonega varas de pesca.
É cada vez mais frequente escutar queixas de empresários pequenos e médios sobre a dificuldade em contratar. Não há disposição para o trabalho entre os beneficiados com programas do governo. O auxílio é pequeno, mas age como uma droga mensalmente inoculada, como um soro de sobrevivência, sem previsão para acabar. Como um remédio que gera dependência e não cura. São milhões e milhões. Como resgatar esta massa?
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Enquanto isto os inocentes úteis seguem aplaudindo com entusiasmo as lideranças que herdaram o discurso de Fidel Castro e de seus filhotes, como Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Ortega, que suprimiu eleições na Nicarágua (https://www.youtube.com/watch?v=1PlHRoXmnl8). Todos eles têm algumas características comuns: o culto à personalidade, discursos rancorosos e um nítido autoritarismo.
Quando ainda tinha arroubos de moderado esquerdismo, nutrido pela juvenil indignação pela injustiça social, um querido amigo insistia, à época inutilmente, que homens maduros não vociferam, não apelam a todo instante para oratórias violentas.
Bem, o tempo passou e hoje sou livre e pequeno pregador do mal menor, como preconizou Tomás de Aquino. Mal resumindo, é preciso escolher quem parece roubar menos, em detrimento de quem parece roubar mais. Ou o faz há mais tempo. Escolher entre quem mente menos, recusando quem segue mais de perto o pai da mentira.
Hoje repudio oratórias intempestivas e desde sempre reprovei promessas vazias e demagógicas, que têm predominado em nossas campanhas eleitorais.
Do ponto de vista prático, repudio sobretudo o centralismo, ampliado pela recente reforma tributária. É uma tragédia anunciada, que fere de morte o federalismo. Concentrará ainda mais recursos e poder na mão de poucos, em Brasília, que os distribuirão como dádivas – quando não passam de direitos,- conforme interesses nada republicanos e inconfessáveis.
Sei que é muito difícil num país dominado por falsos antagonismos, alimentados por canalhas de todo tipo e quilate, mas é imperativo substituir a tacanhice do “ninguém-solta-a-mão” pelo “ninguém-ama-senão-a-verdade” para superarmos o vale tudo, o teatro da mentira, para evitarmos a ruína da justiça.
Enquanto isto o pau que bate no Chico dos comuns não bate no Francisco das castas.
Seguimos condenados ao atraso, promovido pela exploração da crendice, da cegueira, do fanatismo e da estupidez, que infelizmente sobejam neste maltratado Brasil.
Inocentes de todos os quadrantes, soltem a mão que os explora e infantiliza.