Multidão em Rimini
Durante o encontro de Rimini, promovido pelo movimento Comunhão e Libertação, Leão XIV passava por um corredor de jovens. As notícias dão conta de centenas de milhar de jovens presentes. Vi a reportagem através do telemóvel de um deles: O Papa avança lentamente, saudando, à esquerda e à direita, a juventude de tantos países ali reunida. Ao passar em frente de um grupo de lusitanos que gritava a plenos pulmões «Fátima! Fátima!», e ostentava um pano a dizer «Fátima espera por ti!», o Papa repara, sorri com cara de cumplicidade e levanta o polegar a confirmar.

A seguir, começaram a circular informações de várias origens. Ainda não se sabe a data, pensa-se que irá a Fátima, a Lisboa, ao Porto, a Braga, à Madeira e aos Açores…
No final de Setembro irá a França, tem já outras viagens marcadas e, se tudo correr bem, virá ainda este ano a Portugal. Não precisamos de saber já os dias para sonhar com tê-lo connosco.
É natural que reparemos na injustiça de recebermos visitas tão frequentes dos vários Papas, em comparação com países muito mais importantes. De facto, não merecemos. Temos que o agradecer a Nossa Senhora, que escolheu aparecer em Fátima quando tantos lugares do mundo ofereciam melhores condições.
O último apontamento aqui publicado, acerca do milagre do sol, em Fátima, suscitou algumas reacções de surpresa por ter sido escrito por um professor de engenharia. De facto, nalguns ambientes cimentou-se a convicção de que as ciências da natureza esfriam a relação com Deus. No entanto, a experiência parece indicar o contrário.
Conheço vários padres que concluíram com êxito cursos de engenharia. Não só de engenharia mecânica —com que tenho mais contacto—, mas também de química, de engenharia civil, de electrotecnia, de informática… Este ano, por exemplo, ordenaram-se dois engenheiros a quem dei aulas no Técnico. Ontem, outro, também formado no Técnico, apresentou o seu novo livro perante centenas de pessoas. E poderia enumerar muitos mais. A vida mostra que estudar matemática e física aproxima de Deus. Basta ver as conversões, entre alunos e professores de engenharia. Aliás, é sugestivo reparar que o actual Papa, que virá proximamente a Portugal, talvez em Maio, se formou em matemática.
Há fortes razões para as ciências da natureza levarem a Deus. Cada experiência universitária valoriza uma sensibilidade cultural específica: é compreensível que o curso de medicina desperte empatia com quem sofre e ajude a amar a vida humana em todas as circunstâncias; que o curso de direito desenvolva o sentido da justiça e ajude a compreender a complexidade das relações humanas; etc.!… Cada tipo de formação reforça certas qualidades. Ora, a física e matemática são um caminho muito directo para descobrir a beleza do universo e a racionalidade de toda a criação. Daí a reconhecer a existência de Deus vai um pequeno passo, quase intuitivo.
Claro que um estudante de medicina pode endurecer o coração e um estudante de direito pode transformar-se num especialista em cometer falcatruas sem ser penalizado, assim como um estudante de engenharia se pode desinteressar da ordem do universo e só pensar em êxito e dinheiro. Idealmente, a universidade desenvolve a pessoa em todas as suas dimensões, mas tudo depende da grandeza do coração e da inteligência de cada um. Podemos fechar-nos, ou podemos crescer interiormente…
O que é certo é que a beleza da física e da matemática são uma boa preparação para olhar o universo e reconhecer nele a mão benigna de Deus. Talvez um destes dias desenvolva a questão.
Hoje, o grande tema é que o Papa (formado em matemática) vem proximamente a Portugal.