A Missa nos Champs Élysées e Place de la Concorde, em Paris.
A visita de Leão XIV a França desencadeou uma tal revolução em França (o Papa preferiu chamar-lhe renascimento espiritual) que obrigou os políticos e os órgãos de comunicação social a adaptar a estratégia de um dia para o outro. O Chefe de Estado ouviu palavras bem firmes mas, em face da reação popular, decidiu acrescentar uma Missa aos encontros protocolares. E outras figuras públicas também trocaram a agenda. Um jornalista perguntou ao Papa se as suas intervenções distinguiam o papel da Igreja e o papel do Estado: o Papa respondeu muito bem, embora, na minha opinião, a resposta definitiva foi a atitude dos representantes do Estado. De facto, o povo não viu o Papa como intruso na política nacional, aclamou-o como voz de Deus e defensor da dignidade humana.
O encontro com a juventude foi no dia 25 de Setembro, com 80 mil participantes, um coro de milhares de vozes jovens. Centenas de figurantes, alguns a cavalo, evocaram os santos da história francesa, a lembrar a responsabilidade de tantos séculos de história e de tantos exemplos heróicos de santidade.
O Papa na ocasião, dirigindo-se aos jovens: «Agradeço a Deus, obrigado a vós. Obrigado pela vossa coragem e pela vossa presença. Vois sois os santos da França!».
O programa continuou. No seu discurso, o Papa foi muito exigente com aqueles rapazes e raparigas. Lembrou-lhes que eles eram «os homens e as mulheres de Deus para iluminar a nossa época e transformar o presente à luz do espírito». A grandeza da cultura francesa impõe-lhes uma responsabilidade: «Jovens da França, trazeis no vosso coração um desejo imenso de liberdade. Uma palavra que ressoa com força na vossa cultura». E acrescentou: «Quem vive com Deus é livre. Livre de tudo o que obscurece a vida e a torna vazia e desprovida de sentido».
A juventude da França, que poderia talvez reagir a exigências demasiado concretas ou talvez sentir-se ofendida por uma intromissão estrangeira, aderiu de coração às propostas do Papa. Os políticos podiam perguntar-se, atônitos, o que tinha acontecido àqueles jovens rebeldes, sempre difíceis de aturar.
No dia seguinte, foi a Missa nos Champs Élysées e Place de la Concorde. Cerca de um milhão de pessoas encheu aquele espaço.
O dia 27 passou-se no santuário de Nossa Senhora de Lourdes.
O dia 28 foi dedicado a Metz, centrado nas raízes da Europa, a paz e à unidade. O Presidente da Conferência Episcopal Francesa lembrou que, ao preparar esta viagem apostólica, confrontado com as múltiplas cidades que poderia visitar, o Papa escolheu Metz: «por causa da Europa».
Nos dois encontros no centro de congressos de Metz estiveram presentes os representantes europeus e os responsáveis das principais religiões, que o aplaudiram de pé, longamente, à chegada. Falou-lhes de reconhecer as raízes cristãs da Europa, dos valores da liberdade e da democracia, da fraternidade cristã, da missão de construir a paz, de formar famílias abertas a acolher a vida das crianças, dispostas a defender a dignidade de todos, desde o primeiro instante no seio da mãe até o derradeiro suspiro. Animou-os a trabalhar pela comunidade, a comprometer-se na política. Desejou que a Europa, «solidamente enraizada, continue a florescer e a inspirar o mundo inteiro».
Em Metz, como no primeiro dia, na sede da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), pediu insistentemente que se trabalhasse pela paz.
Os representantes da Europa e as individualidades presentes levantaram-se a aplaudir Leão XIV. O coro e a orquestra nacional da Ópera de Metz interpretaram extratos do «Livro da Vida» de Laurent Couson, reforçando a emoção dos aplausos, que não diminuíam, o Papa olhava a assistência e baixava os olhos emocionado. Ao fim de largos minutos, agradeceu e despediu-se. Os aplausos continuavam.
Os jornalistas usaram expressões mais radicais, mas no voo de regresso e em audiências gerais, já em Roma, o Papa tem preferido a expressão «renascimento». Aparentemente, os franceses levaram a sério a notícia de que tinham de ser santos.