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Prêmio Nobel será canonizada?

  • Julho 16, 2026
  • Religião
  • Padre Aires Gameiro

O Bispo Fredrik Hansen de Oslo, anunciou, recentemente, a introdução do processo de canonização de uma grande romancista do século XX, a Prémio Nobel de literatura (1928), Sigrid Undset, (1982-1949), que me deixou curioso.

Uma canonização deste país? Em 2009, concelebrei na Catedral católica de Oslo cujo pároco é um sacerdote vietnamita, também reitor do seminário, país invadido por imigrantes vindos da Ásia, muçulmanos e de outras diversas religiões?! E comecei a tentar conhecer melhor de quem se tratava. Li uma entrevista de Vivian Dudro, (in The CWR julho 2026). Era filha de um professor universitário, arqueólogo, sem religião; e especializada em ciências naturais, e até aos anos 1920, protestante. Sigrid Undset, autora genial de famosos romances, entre os quais  “Kristin Lavransdatter”  em três volumes (1922-19244) e “The Master of Hestviken” (1925-1927), que lhe mereceram o Prémio Nobel em 1928, pode vir a ser nova Padroeira da Europa.

Entre outras leituras, a entrevista sobre o livro do biógrafo Aidan Nichols, O.P.: “Sigrid Undset: Reader of Hearts” é muito sugestiva. Este biógrafo apresenta Sigrid Undset como autora des-sincronizada da era do iluminismo pretensioso anti-cristão. A sua investigação das ciências naturais levou-a fixar-se no real das leis naturais e a tornar-se crítica e a inclinar-se para as posições do cristianismo e da Igreja antes de ser católica.

Entreviu o caos que os desvios de cientismo do comunismo, nazismo e ateísmo estavam a provocar na cultura ao tentarem recrear um tipo de homem e de mundo perfeito falsificados. Deu-se conta que quanto mais esta ideologia desrespeitava a verdade das leis da ciência da natureza mais isso a levava a aproximar-se das posições do catolicismo. Não eram os homens que criavam novos seres humanos, mas era Deus o único Criador que criava os homens e isso fazia toda a diferença: assim como eram diferentes os mitos dos Vikings que se afundavam na idolatria e criavam os seus ídolos, Deus, o único Criador, criava os homens com amor e leis naturais para os homens respeitarem essa ordem com responsabilidade. Sigrid dava cada vez mais passos a aproximar-se das leis naturais e a sua ordem dada pelo Criador e a afastar-se das ideologias pagãs desordenadas.

Sigrid não deixou de ser militante de causas justas a favor das mulheres, mas não aceitava instrumentalizá-las a favor do nazismo e do comunismo, como por 1930 era corrente. Reparou, com admiração como o cristianismo exaltava a virgindade e a maternidade como nunca aconteceu com nenhuma outra cultura a não ser a da maternidade obrigada a submeter-se à exploração do império nazi, à custa da instrumentalização das mulheres. Publicou mesmo a novela “Ida Elisabeth” (1932) em que criticava a adoração e submissão dos fracos aos opressores fortes como o Hitler fazia ao tomar o poder e a contrariar a missão da mulher e mãe em relação à criança e aos doentes. Por isso, em 1940, quando Hitler invadiu a Noruega já ela fazia parte da lista negra dos que seriam abatidos; e teve que fugir da Noruega e refugiar-se nos Estados Unidos e tornar-se anti-Nazi para escapar à perseguição.

No seu livro anterior um médico é dado ao eugenismo e à eutanásia, ideologias que davam sinal no Ocidente e marcaram o nazismo. Por duas vezes visitei em Reichenbach, Baviera, o centro de reabilitação mental da Ordem de S. João de Deus onde me repetiram histórias tristes do tempo do nazismo sobre a transferência de muitos assistidos para lhes darem a morte em campo de concentração sob pretexto de dar melhor assistência. No fim da guerra eles nunca mais apareceram.

No seu caminho de conversão à Igreja católica, Sigrid afeiçoou-se aos santos ingleses, em especial a Thomas Becket, mártir pela fé, a quem os noruegueses têm muita devoção; e escreveu as vidas de Santo Olavo e Santa Catarina de Sena. Não deixa de surpreender que uma escritora Prémio Nobel, em país protestante, bastante secularizado, nas suas investigações e livros de ficção se tenha posicionado na defesa da vida humana contra o marxismo, nazismo e ateísmo favoráveis às práticas abortivas, eugenistas e à eutanásia. E, baseada no estudo das leis da natureza, tenha levantado a sua crítica à violência dos fortes opressores dos fracos e ao feminismo que rebaixa o valor da mulher-mãe.

Na confusão de ideias e posições, bem merece ser mais conhecida como defensora dos valores cristãos e re-evangelizadora do seu país e da Europa.

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