Pular para o conteúdo

Reflexão em tempo de Quaresma

  • Março 13, 2024
  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Maria Susana Mexia

 

“Deus enviou o seu Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Veio à terra para que os homens tivessem luz e deixassem de se debater nas trevas, e, ao terem luz, pudessem fazer do mundo um lugar onde todas as coisas servissem para dar glória a Deus e ajudassem o homem a atingir o seu último fim”.

Todavia uma boa parte do mundo continua na escuridão, perdida nas trevas, sem paz, sem felicidade, recusando a salvação.

“Durante séculos, muitos homens separaram a sua vida (trabalho, estudo, negócios, pesquisas, lazer) da fé. E, como consequência dessa separação, as realidades temporais ficaram desvirtuadas, e muitos chegaram a considerar o mundo como um fim em si mesmo, sem nenhuma referência a Deus, acabando por tergiversar as próprias verdades mais fundamentais e básicas. De modo especial, é preciso corrigir essa separação nos países ocidentais, “porque, nestes anos, muitas gerações se estão perdendo para Cristo e para a Igreja, e porque, infelizmente, desses lugares se envia ao mundo inteiro o joio de um novo paganismo”.

“Este paganismo contemporâneo caracteriza-se pela busca do bem-estar material a qualquer preço, e pelo correspondente esquecimento – seria melhor dizer medo, autêntico pavor – de tudo o que possa causar sofrimento. Dentro desta perspectiva, palavras como Deus, pecado, cruz, mortificação, vida eterna… tornam-se incompreensíveis para uma grande parte das pessoas, que desconhecem o seu significado e o seu conteúdo. Essa espantosa realidade está à vista de todos: muitos começaram talvez por pôr Deus entre parêntesis em algum aspecto da sua vida pessoal, familiar, profissional; mas, como Deus exige, ama, pede, acabam por expulsá-lo – como um intruso – das leis civis e da vida dos povos. Com uma soberba ridícula e presunçosa, querem colocar no seu lugar a pobre criatura, sem dignidade sobrenatural e humana, e reduzida – não é um exagero: está à vista de todos – ao ventre, ao sexo, ao dinheiro”.

O mundo continuará nas trevas se os cristãos, por falta de unidade de vida, não iluminarem e derem sentido às realidades concretas da vida. Sabemos que a atitude que se exige dos verdadeiros discípulos de Cristo, e de modo específico dos leigos, não é a de se isolarem, mas a de estarem mergulhados nas entranhas do mundo, como o fermento dentro da massa, para transformá-lo. O cristão coerente com a sua fé é sal que dá sabor e preserva da corrupção. E para isso deve contar sobretudo com o seu testemunho no meio das tarefas habituais, realizadas exemplarmente. “Se nós, os cristãos, vivêssemos verdadeiramente de acordo com a nossa fé, produzir-se-ia a maior revolução de todos os tempos… A eficácia da corredenção depende também de cada um de nós! “

A desordem introduzida pelo pecado foi além do homem, afectando a própria natureza. O mundo é bom, pois foi feito por Deus de modo a contribuir para que o homem alcançasse o seu fim último. Mas, depois do pecado original, as coisas materiais, o talento, a técnica, as leis…, podem ser desviadas da sua reta ordem e converter-se em males para o homem, obscurecendo o seu fim último e separando-o de Deus, ao invés de aproximá-lo. Nascem assim muitos desequilíbrios, injustiças, opressões, que têm a sua origem no pecado. “O pecado do homem, isto é, a sua ruptura com Deus, é a causa radical das tragédias que marcam a história da liberdade”.

Deus, na sua misericórdia infinita, compadeceu-se deste estado em que a criatura havia caído e redimiu-nos em Jesus Cristo: devolveu-nos a sua amizade e, mais ainda, reconciliou-nos com Ele até ao extremo de podermos chamar-nos filhos de Deus, destinados à vida eterna, com Ele para sempre no Céu.

A MISSÃO QUE O SENHOR nos confiou é a de infundir sentido cristão na sociedade, porque só então as estruturas, as instituições, as leis, o descanso, terão um espírito cristão e estarão verdadeiramente a serviço do homem. “Os discípulos de Jesus Cristo têm que ser semeadores de fraternidade em todos os momentos e em todas as circunstâncias da vida. Quando um homem ou uma mulher vivem intensamente o espírito cristão, todas as suas actividades e relações refletem e comunicam a caridade de Deus e os bens do Reino. É preciso que os cristãos saibam pôr nas suas relações quotidianas de família, amizade, vizinhança, trabalho e lazer, a marca do amor cristão, que é simplicidade, veracidade, fidelidade, mansidão, generosidade, solidariedade e alegria.

Procuremos viver com Cristo e em Cristo, todos e cada um dos instantes da nossa existência – unidade de vida. Então a piedade pessoal passará a orientar-se para a ação, e dar-lhe-á impulso e conteúdo até convertê-la num contínuo ato de amor a Deus. E, por sua vez, as ocupações de cada dia passarão a facilitar o trato com Deus e serão o campo em que se exercitam todas as virtudes. Se procurarmos trabalhar bem e introduzir nas nossas tarefas a dimensão transcendente que resulta do amor a Deus, essas tarefas servirão para a salvação dos homens e tornaremos o mundo mais humano, pois não é possível respeitar o homem – e muito menos amá-lo – se se nega ou se combate a Deus, uma vez que o homem só é homem quando é verdadeiramente imagem de Deus. Pelo contrário, “a presença de Satanás na história da humanidade aumenta na proporção em que o homem e a sociedade se afastam de Deus”.

Nesta tarefa de santificar as realidades terrenas, os cristãos não estão sozinhos. Restabelecer a ordem querida por Deus e conduzir o mundo à sua plenitude é principalmente fruto da acção do Espírito Santo, verdadeiro Senhor da história. Deus não é hoje menos poderoso do que em outras épocas, nem é menos verdadeiro o seu amor pelos homens. A nossa fé ensina que a criação inteira, o movimento da terra e dos astros, as acções rectas das criaturas e tudo quanto há de positivo no curso da história, tudo, numa palavra, veio de Deus e para Deus se ordena”.

 

Nota: texto inspirado em “Falar com Deus”, de Francisco F. Carvajal

Quaresma de 2024

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9