A metragem da terra doada por Bernardina e Tristão Fagundes para a Igreja Católica foi de 17.424m², ou seja quase dois hectares. Posteriormente a Mitra vendeu alguns terrenos e doou a área onde hoje está o Colégio Delfina Dias Ferraz. Não sei se as áreas da pracinha de brinquedos e a do Palácio Rio Branco foram doados ao Município ou por ele adquiridos.
Naquela época em que a doação ocorreu, mais precisamente em 10 de setembro de 1861, festiva e solenemente, foi lançada a pedra fundamental da nova Capella de São João Batista do Montenegro. A pedra fundamental e o alicerce foram levantados com material fornecido gratuitamente por José de Souza Costa, conhecido por “Juca da Olaria”.
O Jornal O Progresso de 14.12.1951, insere a seguinte nota histórica: “Em 1866, no plano mais alto da povoação, próxima a dois lindos umbus, erguia-se uma pequena capela de madeira, começada em 1855, isto é, no mesmo local, onde levantaram em 1871, em alvenaria, a Igreja Matriz das Duas Torres”.
Para o funcionamento da modesta ermida, faltava a imagem do santo de veneração dos fiéis. Um dado histórico digno de registro: os católicos pediam as bênçãos do santo padroeiro, pois desejavam ardentemente a nossa vitória contra os paraguaios, prestes a invadirem as nossas fronteiras e para onde haviam seguido em defesa do país, um grande número de montenegrinos, sob as ordens do Tenente-Coronel Apolinário Pereira de Moraes.
Antes de 1855, já contávamos com uma pequena igreja, construída em madeira, onde os moradores diziam suas preces. Li em algum lugar que as paredes desta capelinha eram pintadas de amarelo. Depois veio a segunda capela, também edificada em madeira e que, segundo Nota Histórica do Jornal “O Progresso”, ficava no mesmo lugar onde em 1871 levantaram a Igreja das Duas Torres. Não foi possível apurar o lugar onde a primeira capelinha foi erguida; provavelmente no mesmo local, ou onde se localiza o edifício da Brigada Militar.
Coube a Dom Sebastião Dias Laranjeira a iniciativa de trazer o nosso santo orago. Campos Netto assim descreve (p 533/534): “A Capela de São João Batista foi visitada em 1866 pelo Bispo D. Sebastião Dias Laranjeira, que trouxe a primeira imagem de São João Batista. S.Excia veio especialmente para conduzir aquela imagem, sendo acompanhado de grande comitiva, composta das principais famílias de Porto Alegre, uma banda de música e dois padres alemães como seus secretários. Hospedou-se na casa de Nicolau Finger, onde permaneceu três dias”.
Para que os amigos leitores tenham uma exata noção do crescimento da nossa área central (sede), importa dizer que neste período haviam 150 prédios e em permanente crescimento. Por isso, logo a ideia da criação da paróquia tomou corpo e acabou por se concretizar. Pela Lei Provincial nº 630, de 18 de outubro de 1867, o Governo Provincial criou a Freguesia de Monte Negro.
A Autoridade Eclesiástica, que não havia sido consultada pelo Governo Provincial, só confirmou esta lei em 28 de abril de 1871. Com isto, concedeu-lhe “pleno direito e faculdade para ter pia batismal, sacrário, em que conserve o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, para a consolação dos fiéis, havendo o necessário ornato e decência e tendo rendas suficientes para conservação da lâmpada acessa de dia e de noite, cemitério para sepultura dos paroquianos defuntos, campanários, torres, sinos e todos os mais direitos, privilégios, insígnias, honras e distinções de uma Igreja Paroquial” (adaptei ao português atual).