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Suor como gotas de sangue

  • Julho 13, 2026
  • Religião
  • José Maria C. da Silva André

Sermão do Pe. Davide Pagliarani, superior da Fraternidade de S. Pio X, na cerimónia de ordenação de quatro novos bispos em oposição ao Papa (1 de Julho de 2026)

 

«Numa luta angustiosa, (…) o suor escorria como grossas gotas de sangue que caíam na terra» — foi com sofrimento horrível que Jesus rezou pela unidade da Igreja, de joelhos, no Horto das Oliveiras. Uma vez e outra, pediu:

— «Pai santo, guarda-os no teu nome, (…) para serem um, como Nós. (…) Não é só por eles que Eu rogo, é também por aqueles que vão acreditar em Mim (…), para todos serem um só: como Tu, ó Pai, estás em Mim e Eu em Ti, que eles também estejam em Nós, a fim de que o mundo acredite que Tu Me enviaste (…), para que sejam um só, como Nós somos um só: Eu neles e Tu em Mim, para chegarem à perfeita unidade…».

Há poucos dias, reavivou-se o sofrimento de Jesus, com mais uma ruptura profunda da unidade da Igreja católica, com a ordenação de quatro bispos em oposição ao Papa.

Leão XIV pediu aos protagonistas deste acto que reconsiderassem o que iam fazer, enviou-lhes um apelo escrito, cheio de simpatia, admitindo que eles agiam com a melhor das intenções. A resposta a este apelo chocou pela dureza com que o grupo cismático encarou a luta com Roma. Numa argumentação destinada fundamentalmente a consumo interno, observaram que, quando eles ordenaram outros bispos em situação semelhante, há quase quatro décadas, o Vaticano acabou por levantar a excomunhão, uns anos depois, numa tentativa de restabelecer a unidade. Se aconteceu uma vez, é só deixar passar o tempo, até que volte a acontecer o mesmo. Com insolência, respondem ao apelo do Papa que, se quer poupar o trabalho de lhes perdoar, pode já aceitar a ordenação irregular dos novos bispos.

O anterior esforço de conciliação não resultou. A beligerância manteve-se e nalguns casos endureceu. O afrontamento repete-se.

Seguindo o exemplo do Papa, não julgamos intenções, estimamos todos os intervenientes e rezamos por eles e pela Igreja. Juntamos a nossa oração à de Cristo, talvez com lágrimas de amor, pensando no suor intenso que Lhe escorria pela face, como grossas gotas de sangue.

A cerimónia da ordenação demorou cinco longas horas, com momentos especialmente tocantes e dolorosos.
À pergunta do ritual sobre se aquelas ordenações tinham mandato pontifício, em vez da resposta afirmativa prevista na liturgia, apresentou-se uma justificação para não responder.

No diálogo em que se pergunta aos novos bispos se querem edificar a Igreja em unidade com o colégio episcopal e permanecer sob a autoridade dos sucessores do apóstolo Pedro, os novos bispos responderam que sim, como se não estivessem em confronto com a Igreja.

O ritual concretiza a pergunta anterior: queres prestar fiel obediência ao sucessor do santo apóstolo Pedro? Responderam afirmativamente, como se nada fosse.

Quase no final, quando os novos bispos se aproximaram para comungar o Corpo e o Sangue de Cristo, desabou repentinamente uma trovoada impressionante. O estampido dos trovões e da chuva parecia o barulho de uma metralhadora a disparar em rajada. O barulho foi de tal ordem que tiveram de interromper a cerimónia. Não podendo fazer mais nada, o coro rezou o terço cantando as Ave-Marias e a seguir cantou o «Christus vincit». Enquanto o fenómeno durou, foi impossível prosseguir. Para alguns, este intervalo impressionante no meio de um dia luminoso de sol foi expressão do sofrimento de Deus, ofendido por mais uma ruptura tão grave da unidade da sua Igreja. Para outros, pode ter sido o barafustar do demónio, descontente com aquele gesto de santidade.
Deus sabe o que se passou e a opinião de Deus é que conta.

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