Pular para o conteúdo

Um molho de surpresas em viagens e férias

  • Julho 28, 2026
  • Cultura
  • Padre Aires Gameiro

Quem vai a férias e viaja por países distantes terá algumas surpresas. As saídas de férias, e peregrinações oferecem expectativas e experiências diferentes do viver dos povos. Cenas mais comuns do que se pode encontrar constituem camadas históricas de passados distantes (a Turquia é um exemplo) e cenários sociais e familiares do presente. Não convém perder as oportunidades. Nas minhas viagens por diversos países vivi algumas surpresas mais fortes.

Na Bolívia, por exemplo, impressiona a estatura baixa das pessoas, e as mães com criança às costas amarrada com manta e outra criança pela mão. Na visita ao mercado de Cochabamba foi ver sacos de folhas de coca à venda livremente, e, no aeroporto de La Paz, caixinhas destas folhas para os visitantes levarem de lembrança. Em Cuscos (Perú) quase me impuseram um (chá) de coca para a falta de ar à altitude de 3.400 metros.

Na Índia recordo o choque de pequenas multidões em bulício pela uma da noite à beira da estrada do aeroporto de Santa Cruz (sic em português) para a cidade de Bombaim com pequenas fogueiras aqui e ali, a cozinhar. Que faziam? Responderam-me: passam a noite, é a sua casa. Não têm outra. E no dia seguinte, ao almoço, numa comunidade religiosa o choque de surpresa de um sacerdote, ao meu lado, muito naturalmente, a comer do prato com as mãos. Gesto semelhante já me surpreendeu menos, mais tarde, no Sri-Lanka. Ainda em Nova Delhi, Índia, por quase um dia, com táxi à minha disposição, tive a surpresa agradável de me pedirem o que em Lisboa seria um serviço de meia hora. E também não é todos os dias que numa cidade do triângulo dourado, em tempo livre para compras, na cidade de Jaipur, a surpresa na visita casual à “Igreja das Almas” encontro um grupo de Alcoólicos Anónimos reunido que logo nas saudações me convidam a falar e a ficar com eles na reunião.

Na África do Sul era o tempo do Apartheid, as surpresas sucederam-se: carruagens de comboio para brancos e para não brancos, restaurantes para brancos (mas servido por não brancos), bancos de jardim…,autocarros… Ridículo, mas levado a sério. Na missa da catedral católica de Joanesburgo não vi esses avisos.

No Vietnam, em passagem pelo meio dos arrozais a caminho do Delta Mekong, lá estavam um túmulo aqui, outro além, ao passo que em Chuncheon na Coreia do Sul o cemitério espalhava-se pela colina e o meu acompanhante indicou alguns familiares a  deixarem  pratos de comida para os seus familiares na sua vida no Além.

Na visita ao Vale dos Reis, no Egito, semeado de mausoléus de faraós, onde foi descoberto o de Tutankhamon, o guia explicava os hieróglifos da passagem do defunto para o Além da sua nova vida e o exame judicial estrito a que era sujeito: se tinha feito isto e aquilo que facilitasse a passagem ou a impedisse; e até se tinha poluído o Rio Nilo.

Surpresas, de certo modo horripilantes, são a que vivi na Península do Iucatã, México, sujeita a secas prolongadas que levavam o Mayas a suplicar aos deuses que fizessem chover, oferecendo-lhes sacrifícios humanos. O guia pintava a cena de forma surpreendente e cruel. Eram dezenas, centenas de reféns de guerra ou outros forçados a subir às pirâmides e ali serem sacrificados por decapitação e as cabeças rolarem pelos muitos degraus abaixo.

Passemos a outras surpresas mais agradáveis. Ainda na Índia, fica-se surpreendido com a saudação que nos dirigem: mãos erguidas, inclinação e dizer namasté (o sagrado em mim saúda o sagrado em ti). Para os católicos a impressão é ainda mais bem-vinda por se assemelhar ao gesto de dar a paz.

Outra surpresa espantosa, no Japão, foi a de ouvir o meu guia em Nagasaki: aqui ninguém rouba nada. Pode deixar o carro ou o táxi aberto, com dinheiro e joias, lá dentro ninguém rouba. Procuram o dono para entregar tudo. Nas férias, cá dentro, também se ouvia: dê-me a sua bênção, Deus te abençoe.

Atualmente é raro, mas em Timor ainda impressiona ouvir: sua bênção ou algo parecido e beijar as mãos do recém-chegado.

Fico por aqui. Convém ir a férias preparado para observações, surpresas de gestos de amizade, paz, agrado e gratidão pelos encontros e com mais calma que é habitual em tempo de trabalho.

Categorias

  • Conexão | Brasil x Portugal
  • Cultura
  • História
  • Política
  • Religião
  • Social

Colunistas

A.Manuel dos Santos

Abigail Vilanova

Adilson Constâncio

Adriano Fiaschi

Afonso Licks

Agostinho dos Santos

Alexandra Sousa Duarte

Alexandre Esteves

Ana Esteves

Ana Maria Figueiredo

Ana Tápia

Artur Pereira dos Santos

Augusto Licks

Cecília Rezende

Cláudia Neves

Conceição Amaral de Castro Ramos

Conceição Castro Ramos

Conceição Gigante

Cristina Berrucho

Cristina Viana

Editoria

Editoria GPC

Emanuel do Carmo Oliveira

Enrique Villanueva

Ernesto Lauer

Fátima Fonseca

Flora Costa

Helena Atalaia

Isabel Alexandre

Isabel Carmo Pedro

Isabel Maria Vasco Costa

João Baptista Teixeira

João Marcelino

José Maria C. da Silva...

José Rogério Licks

Julie Machado

Luís Lynce de Faria

Luísa Loureiro

Manuel Matias

Manuela Figueiredo Martins

Maria Amália Abreu Rocha

Maria Caetano Conceição

Maria de Oliveira Esteves

Maria Guimarães

Maria Helena Guerra Pratas

Maria Helena Paes

Maria Romano

Maria Susana Mexia

Maria Teresa Conceição

Mariano Romeiro

Michele Bonheur

Miguel Ataíde

Notícias

Olavo de Carvalho

Padre Aires Gameiro

Padre Paulo Ricardo

Pedro Vaz Patto

Rita Gonçalves

Rosa Ventura

Rosário Martins

Rosarita dos Santos

Sérgio Alves de Oliveira

Sergio Manzione

Sofia Guedes e Graça Varão

Suzana Maria de Jesus

Vânia Figueiredo

Vera Luza

Verónica Teodósio

Virgínia Magriço

Grupo Progresso de Comunicação | Todos os direitos reservados

Desenvolvido por I9