“Acaba de ser anunciada a vitória do candidato de oposição à presidência. Resultado apertado que reflete a divisão no país, que precisa ser reunificado. Atribui-se a vitória menos às qualidades do vencedor do que ao cansaço do povo em relação às promessas demagógicas de quem teve o poder por doze anos e buscava um quarto mandato.
Sua conversa esgotou-se e não se deve perder tempo enumerando os erros de quem sai. Espera-se que o vencedor consiga retirar o Brasil da situação em que chegou, de desesperança e dependência do Estado.
Pra quem se dizia democrata, a promessa de não deixar a direita retornar porque é fascista, negacionista e destruidora revelou o autoritarismo explícito do pregador do “nós contra eles”.
Ainda que em contextos muito diversos, o perdedor encerra sua vida política agarrado no poder, que exerceu de forma autocrática, como bom ególatra. Nunca teve competência para gerir um país como o Brasil, mas o populismo e a insuficiência dos que o antecederam abriram caminho para que chegasse ao mais alto posto da nação. Que ora pagará pela mais contumaz e abjeta demagogia, depois de uma campanha vergonhosa, com benesses de última hora e mentiras disparadas como nunca.
Perdeu para o filho daquele que tanto perseguiu. Parece castigo digno de novela. Foi o fim de uma era, para o bem de um futuro diferente”.
Este texto imaginário seria possível por parte de um opositor, otimista diante das pesquisas às vésperas do pleito. O resultado anunciado o desmentiu.
E o futuro, portanto, não mudou.
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Como país periférico – contaminado por idéias totalitárias da vertente Marx, Lênin, Stálin, Escola de Frankfurt, palidamente representadas no doente terminal que atende pelo nome de Foro de São Paulo,- o Brasil tem caudatários de regimes de esquerda.
O comunismo nunca morreu. Fracassado na pregação da luta de classes, disfarçou-se nas pautas identitárias, no feminismo, nas minorias, buscando combustível para manter-se. Sua dissimulação é tão bem pensada que os nefelibatas acham que os que denunciam o comunismo são malucos, porque vêem fantasmas. Mal comparando, é similar à estratégia do diabo, que convenceu muitos de que não existe e aplicou o maior golpe espiritual de nosso tempo.
Para encerrar, reproduzo alguns trechos de “O diabo na história”, de Vladimir Tismaneanu:
“O comunismo é o inimigo da interiorização, do homem interior, e esta é a essência do stalinismo. A essência do stalinismo é o envenenamento do homem interior de tal forma que ele se contraia da maneira que os caçadores de cabeças contraem as cabeças – aquelas cabecinhas murchas – e então desapareça inteiramente [ … ]. O homem interior tem de ser morto para o decálogo comunista ser alojado em sua alma“.
“A origem desta lógica de exclusão é, naturalmente, o maniqueísmo combatente e intransigente de Lênin, nós contra eles, quem se livra de quem?”
“Toda a tragédia do comunismo está nesta afirmação alucinante: a visão de uma elite superior cujos objetivos utópicos santificam os métodos mais bárbaros; a negação do direito à vida àqueles que são definidos como “parasitas e predadores degenerados”, a desumanização deliberada das vítimas”.
“O marxismo foi, como disse certa vez Leszek Kolakowski, a maior fantasia filosófica dos tempos modernos. Foi um gigantesco mito político maniqueu, um cenário importante da modernidade política que contrastou as forças de reação, barbarismo e decadência com as de progresso histórico, razão, e liberação humana”.
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A propósito, você que é comunista, adepto da teoria crítica, rebelde-sem-causa-ou-sem-cultura, já leu Kolakowski? Ainda não? Não sabe o que está perdendo.