Vídeo-mensagem de Leão XIV aos líderes religiosos participantes no encontro de Assis
No passado dia 27 de Outubro, Leão XIV não pôde deslocar-se a Assis, por causa da recente intervenção cirúrgica, mas dirigiu uma vídeo-mensagem aos participantes aí reunidos no encontro.internacional pela paz. Passaram exactamente 40 anos desde que João Paulo II lançou o primeiro encontro de Assis, em 1986, chamando-lhe «Dia de Oração pela Paz».
Ao cabo de 40 anos, os críticos do Concílio Vaticano II continuam a escandalizar-se com o esforço de oração em comum. Embora tenha tido pouco êxito a convencer os críticos, João Paulo II repetiu todos os anos estes dias de oração e o mesmo fizeram Bento XVI e o Papa Francisco e agora Leão XIV, que quer continuar «o espírito de Assis», como lhe chamou João Paulo II.
Estamos a viver um momento de irresponsabilidade criminosa por parte dos responsáveis dos países mais poderosos. Como disse Leão XIV na vídeo-mensagem: «assistimos a uma preocupante reabilitação da guerra como instrumento de política internacional. Traindo assim a memória do século XX e o massacre inútil de milhões de vidas humanas».
Para conquistar mais território, para roubar petróleo ou outras matérias primas, ou por conveniências de política interna, todos os dias se matam pessoas e se destroem instalações vitais para cidades inteiras. Todos os argumentos servem para justificar estes crimes, incluindo o apelo às convicções religiosas.
Leão XIV desmascara estas pretensões diabólicas: «A guerra nunca pode fazer-se em nome de Deus! Para nós, que temos fé, fazer guerra em nome da religião significa, na realidade, ferir a própria religião. Não existe nenhuma guerra santa: só a paz é santa!».
É chocante ouvir a Rússia dizer que combate a decadência pagã na Ucrânia, ou os Estados Unidos bombardearem o Irão para tornar os iranianos mais livres, ou Israel exterminar a população palestiniana em nome da civilização ocidental… E são muitos mais os focos de violência, por todo o mundo. O horror do que se passa anuncia uma nova conflagração mundial. Como evitá-la?
Certamente, a comunidade internacional —e cada ser humano— tem de defender corajosamente a justiça, sem procurar pequenos ganhos apoiando o mais forte. É preciso também reforçar a amizade internacional. No entanto, todos os esforços humanos não chegam. Leão XIV comenta que «não faltou quem defendesse que a globalização garantiria ao mundo uma paz estável. Infelizmente, como escrevi na “Magnifica humanitas”, confiou-se quase cegamente aos mercados a capacidade de produzir bem-estar, democracia e estabilidade, quando, na realidade, a globalização não gerou automaticamente unidade e paz (…)».
Talvez a sensação de impotência perante a magnitude dos ódios em conflito nos faça compreender que não basta o esforço humano, Pelo menos, o Papa está convencido de que o essencial é a oração:
— «Por isso, o caminho iniciado em Assis na busca comum pela paz é, em primeiro lugar, via de oração. A oração pode parecer fraca perante as potências do mundo, mas é a força humilde dos fiéis. Dirigimo-nos a Deus, que concede a paz: seja Ele a tocar o coração daqueles que desejam a guerra e o terrorismo. Não esqueçamos: nunca se reza em vão!».
Surpreende ver tantos líderes religiosos, de convicções diferentes, rezarem unidos pela paz. No meio do desconcerto, o Papa confia que «isto poderá afastar gradualmente a humanidade da espiral da violência».
No próximo dia 8 de Novembro, Leão XIV começa uma viagem pastoral de quatro dias à Argentina, que o anterior Papa acompanhará do Céu.